sábado, 29 de novembro de 2008

Ser mãe é...

Meu cabelo está caindo, precisando de um corte e uma nova tintura...
Minha pele está horível, precisava de uma limpeza profissonal...
Minhas unhas estão muito fracas, e já sinto saudades da manicure semanal...
Não sei mais o que é dormir uma noite toda, sonha então, nem dá tempo...
Não sei mais o que é tomar um banho sossegada...
Não consigo mais fazer uma refeição sem interrupções, isso quando eu consigo fazer uma refeição...
Há dias em que ao meio dia eu nem consegui pentear os cabelos e escovar os dentes, mesmo estando em pé desde às 5h30 da manhã.
Minhas calças jeans não passam mais no quadril...
As roupas que já servem ainda não estão assentando bem...

Mas, apesar disso tudo, posso dizer que estou adorando a minha nova função... ser mãe!

Ser mãe é...
Apodrecer no paraíso!!!

Mas, veja se não vale a pena?!?!?!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Apresentando... Guilherme!

Carinha de joelho sim, mas um lindo joelhinho!

sábado, 25 de outubro de 2008

Explicando o sumiço total!

Eu sumi!
Sim, sumi porque o meu filhotinho resolveu chegar antes do tempo.
Sim, o Guilherme nasceu e está cada dia mais fofo (bem, eu sou mãe, né?).
Nasceu com carinha de joelho igual aos outros bebês, mas com uma carinha de joelho linda! Hahahaha

Segundo o pai, ele nasceu um mês antes porque tinha medo de ser do mesmo signo ruim da mãe (humpf!).

Era esperado para o dia 11/11, mas para minha surpresa e de todos a nossa volta, resolveu chegar ao mundo no dia 14/10, às 8h55min da manhã. Nasceu com 47 cm e 2,510 kg. Nem precisou de incubadora.

Após passar os primeiros 11 dias na casa da vovó, estamos em casa, e não há melhor lugar no mundo do que a nossa casa, o nosso cantinho.

Bem... Agora eu não sou mais apenas eu. Agora eu sou alguém bem mais completa e que vai descobrindo dia após dia as dores e delícias de ser mãe.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Nasce uma mãe, morre uma mulher!

Minha mãe veio com um papo de que o nascimento do bebê pode acontecer antes do esperado/previsto pela obstetra, e que eu deveria deixar tudo pronto já para o mês de outubro.
Eu estava tranqüila porque o enxoval dele está prontinho e o quarto também.
O que me preocupa caso esta possibilidade de ele vir antes torne-se de fato realidade é que eu ainda não consegui deixar tudo “redondinho” no trabalho, para a entrega dos três prédios que deve ocorrer até o final do ano. Isso realmente me preocupa!
Aí minha mãe veio com um papo de que preciso muito mais do que o enxoval do bebê e do quarto dele.
- Muito mais o quê, mãe?
- O seu enxoval!
- Que enxoval?
- Sutiã para amamentação, cinta pós parto, pijama para usar na maternidade, etc.
- Affe! Preciso mesmo disso tudo, né?
- Precisa, e é bom você providenciar isso logo, porque se essa criança resolve nascer antes quem vai ter que comprar isso tudo pra você vai ser eu, não é?
- É, e eu tenho certeza que você vai vir com aqueles sutiãs beges horríveis, deixa que eu mesma compro.

Ok, sexta-feira, hora do almoço, lá vou eu para o shopping comprar essas coisas todas. Aí se seguiu uma série de decepções...

1ª) O preço de tudo isso!
Caramba! Como eu não tinha muito tempo, entrei em uma loja na qual eu sabia que tinha tudo isso e fui pedindo, quando fui ver os preços quase caí de costas (só não caí porque o peso da barriga já é bem grande e ajudou a manter o equilíbrio). E olha que a loja não é das mais caras, heim?!

2ª) O tal sutiã de amamentação...
Que raio de lingerie é aquilo? A moça me veio logo com 3 modelos, todos bege! “Tá bom, moça, mas não tem outra cor? Não tem com bojo? “
Ela achou um branco, “ufa, menos mal”.
O fato é que eu detesto lingerie de cor bege, eu sei que às vezes o bege é melhor que o branco até (quando você vai usar uma calça branca, por exemplo), mas para esses casos eu tenho uma única calcinha bege! Que só é usada quando eu bato com a cabeça e resolvo colocar uma calça branca. Sutiã bege eu não tenho nenhum, graças a Deus (e que Ele me perdoe por usar seu santo nome em vão).
Resumindo, se você abrir a minha gaveta de lingerie vai se deparar com um mar de lingeries pretas e brancas, e só! Ta bom, ta bom, eu tenho um conjunto vermelho para ocasiões especiais, mas é só! O resto é todo preto e branco. E para mim está ótimo, afinal eles vão bem com tudo que eu visto, e até quando eu não visto nada, pois meu marido acha mil vezes mais sexy uma lingerie branca do que qualquer outra.
Bem, voltando ao sutiã para amamentação...
Eu imagino que eu vá precisar de mais de um sutiã, certo? Porque eles devem ser trocados freqüentemente, pelo menos é o que diz a regra da boa higiene. Então, na minha santa inocência, pedi à moça: “Você não tem preto deste com bojo?”
Gente, ela praticamente riu na minha cara...
“Não, moça, sutiã para amamentação destes aí só vem na cor bege ou branco, mas eu tenho esse outro modelo, sem bojo, e de malha-furreca-que-na-primeira-lavada-fica-todo-troncho (essa parte ela não falou, fica por minha conta, ok?), que tem nas cores azul, amarelo e rosa.”
E eu meio sem graça... “ Não, então vou levar dois brancos deste mesmo, por enquanto.”
E lá se foram R$ 123,00!!! Pelamor! Em dois sutiãs!!!

3ª) Os pijamas... Argh!
Pedi para ver pijama pra usar na maternidade, aí a moça me perguntou quando nasce o bebê... “novembro” – eu disse.
Então, segundo ela, tinha que ser pijama tipo “pescador”, aqueles que são de manga curta e calça “capri”.
Já começamos mal... porque eu não gosto muito de calça capri, a não ser que seja com um belo salto para ficar mais elegante. Ou com uma rasteirinha, dependendo da ocasião.
“Mas vamos lá, livre-se do preconceito, Anna!”
Ela começou a abrir as embalagens... Gente, na boa... porque é que pijama feminino tem sempre que ter milhões de flores, ursinhos, menininhas, etc? Sério, não teve um que se salvasse!
E eu, esperançosa... “Você não tem algum mais liso, mais discreto, com cores mais neutras tipo branco, cinza, preto, sem estampas?”
“Não, não tenho... é muito difícil a gente receber pijama feminino liso...”
Então ‘bora deixar pra lá porque eu não consigo me ver num pijama desses... Não seria tão grave se fosse só uma camisola... mas um pijama “pescador” com aquelas estampas? Eu não iria me sentir a vontade para receber visitas na maternidade nunca! Aliás, nem para ficar na frente do meu marido com um treco daqueles.
Até pode parecer bonitinho, bacaninha, mas para os outros! Eu não consigo! Juro, tem gente que fica bem num pijama desses, mas eu não fico, não adianta! Sou capaz de ter pesadelos se dormir com um desses, porque vou me sentir mal, eu sei.
Ainda se as calças fossem um pouco mais apropriadas para o meu tamanho, digo, nada muito largão tipo calça de palhaço... porque para eu, com minhas humildes canelas finas, ficar parecendo um palhaço com aquelas calças só faltaria o rabo! (Ah, palhaço não tem rabo? Bem, então... não faltaria nada.)
Eu já me convenci de que o problema não são os tamanhos em que confeccionam os pijamas, sabe? O problema é que eu não tenho massa para preenchê-los, só isso.
Falei para a moça deixar o pijama de lado, talvez eu ache algo mais discreto em outra loja, ou posso comprar o tecido e pedir à minha mãe que faça um para mim, como normalmente eu costumo fazer por dois motivos: sai mais barato e fica do tamanho e do jeito que eu preciso.

4ª) A tal da cinta pós parto!
Bem, se mal tem sutiã branco ou preto, não preciso nem dizer quais são as cores disponíveis para as cintas, não é?
Então, tem bege, bege e bege.... Tá legal... eu estou falando que nem homem... Na verdade existem variações, eu vi algumas na cor bege, outras mais pro caramelo, outras mas “café-com-leite”... Mas tudo girando em torno do famigerado “bege”.
Neste caso eu não tive muita opção mesmo, comprei logo uma cor de “café-com-leite” tamanho PP, porque a P não iria segurar nada em mim e cinta deve ser apertada não é? Pelo menos a moça que me vendeu pediu opinião para uma senhora, uma vendedora mais experiente e ela disse que para mim tinha que ser PP, porque é o tamanho de cinta que usa uma pessoa que veste manequim 36 ou 38.
Eu odeio esse tal denominação PP. Para mim PP parece algo como “Projeto de Pessoa”.
Mas fazer o quê...
E lá se foram mais R$ 70,00.

Aí eu já estava quase indo embora, afinal eu já tinha quase tudo o que eu precisava, só faltava o pijama e eu sabia que ali, definitivamente, não iria encontrar algo do meu gosto.
Aí a moça começou a me oferecer coisas que eu nem sonhava que existiam...
Primeiro foi a faixa para gestante... Sério, se alguém me falasse disso eu não acreditaria, mas existe um tipo de faixa que você coloca abaixo da barriga e pra cima do bumbum que serve... pra que mesmo? “Sei lá” – como diria o Tadeuzinho de Pantanal.
Não, eu não tive coragem de perguntar para a vendedora, ia me sentir uma idiota, disse simplesmente que não precisava e pronto.
E depois ela veio com a tal calcinha pós parto... Aí eu já não me contive, tive que perguntar... “tem isso também?”
E ela foi me mostrar... Gente, se há algo mais horrendo que sutiã para amamentação é a tal calcinha pós parto... Ela deve pegar quase abaixo dos seios e adivinhem de que cor... BEGE! A primeira coisa que me passou pela cabeça no momento foi eu tendo que me despir perto do meu marido e ele vendo uma coisa horrenda daquelas. Não há amor que resista!
Tá, eu sei que exagero um pouco, mas gente, pelamor, não é porque a gente vai ser mãe que deixa de ser mulher, né? E me diz, pra que uma calcinha destas se eu vou ter que usar a tal da cinta? Me parece uma certa redundância. Algo como colocar um boné em cima do outro, entende?
Se eu estiver errada a tal da calcinha for mesmo necessária, alguém com mais experiência do que eu me corrija, por favor.

Agradeci a boa vontade da vendedora mas disse que não ia levar mais nada hoje, foi muita descoberta pra um dia só!

Enquanto eu efetuava o pagamento ela olhou bem para mim e perguntou:
-“É o seu primeiro filho?”

Nããããão, imagina... Será que ela não percebeu a minha vasta experiência???

Depois que eu voltei pro escritório fiquei aqui pensando com os meus botões, ainda bem que minha mãe me deu o aviso pra eu comprar logo essas coisas... Já pensou se de repente o pimpolho nasce antes e eu tenho que pedir pro meu marido comprar essas coisas? Seria o fim! Hahaha!

Agora falando muito sério, gente...
O fato de “ser mãe” não exclui o “ser mulher”, então o povo podia caprichar um pouquinho mais nessas coisinhas que nós mamães temos que usar no início, não é? E, principalmente, os fabricantes de pijamas poderiam parar de pensar que toda mulher gosta de ursinhos, cachorrinho, florzinhas, lacinhos, menininhas e etc. desenhado no seu pijama, custa fazer um pijama mais moderno, mais urbano, menos infantil?
Fica aqui o meu protesto!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pra descontrair...

Para as garotas que no post abaixo declararam terem se sentido uma couve-flor.
Não queria que vocês se sentissem um vegetal (porque eu sei que vocês não são assim), mas não pude deixar de lembrar dessa historinha da rosa e da couve-flor. E posso dizer que vcs escolheram bem o vegetal!
Beijos

Um dia a rosa encontrou a couve-flor, e disse:
- Que petulância te chamarem de flor!!!! Veja a sua pele: é áspera e rude, enquanto a minha é lisa e sedosa... Veja seu cheiro: é desagradável e repulsivo, enquanto o meu perfume, é sensual e envolvente... Veja seu corpo: é grosseiro e feio, enquanto o meu, é delicado e elegante... Eu sim, sou uma flor!!!
E a couve-flor respondeu:
- HELOOOOOOOOUUUUU, QUERIIIIIIIDAAAAAA!!!!!De que adianta ser tão linda, se ninguém te come? Hãããããããããã????

TÁ VENDO, AUTO ESTIMA É TUDO!!!!!!!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Comportamento: ESTILO VEGETAL!

"É usado por pessoas que agem como se fossem plantas: aguardam o mundo em volta se movimentar para atendê-las.
Fixada ao terreno, a planta espera que o solo lhe seja fértil, que haja chuva e luz suficiente para a fotossíntese. Até a reprodução depende de terceiros. São os polinizadores (insetos, aves, vento) que espalham suas sementes. Elas se limitam a atraí-los e segue cumprindo seu determinismo genético."
Içami Tiba

Ahhhhh... Agora eu entendi porque em alguns momentos eu me sinto no meio de uma grande plantação de horti-frutis.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

No limite

Sabe, vou dizer uma coisa pra vocês...
Todo mundo me pergunta até quando eu vou trabalhar?
E eu toda “pirilampa” respondo “Até o dia do parto, se Deus quiser!”.

Sim, porque eu acho que ficaria incomodada em casa, sabendo que tem mil problemas para resolver aqui. E mesmo que não houvessem os mil problemas, acho que eu ficaria me sentindo péssima em casa, sem ter o que fazer, com muito tempo de sobra para “pensar na vida”, pensar na chegada do filhote, etc e tal.

Não fui feita para ficar parada. Não tenho botão liga/desliga. Se ficar sem uma ocupação por muito tempo a coisa desanda.

Mas na boa... tem horas assim, no meio de uma tarde cinzenta de terça-feira, que dá vontade de largar tudo e ir embora.
Por quê?
Porque eu tenho direito de ter este turbilhão de sentimentos (nem sempre bons) em relação aos clientes, chefes, fornecedores, funcionários, etc.
Porque eu estou com dor de cabeça, com azia, com dor nas costas, com gripe e com mal humor.
Porque eu estou grávida e ponto.

Mas como o meu senso de responsabilidade ainda está maior do que o meu stress, eu venho aqui, desabafo e pronto, volto a trabalhar quase feliz.
Até o dia em que eu jogar um cliente do oitavo andar, ou esbofetear um fornecedor, ou der um beliscão no chefe pra ver se ele se “esperta”.
Aí as conseqüências podem me impedir de voltar a trabalhar “quase-feliz”, ou me impedir de voltar a trabalhar de vez...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Foi falta, eu vi!

Sexta-feira, dia 18/07, 11h00.
Em uma das obras da empresa, acompanhando auditoria do sistema de qualidade.
Saio do sol e entro no hall do prédio ainda em construção para descer pro subsolo.
Cegueira momentânea por causa do contraste muito sol x escuro.
Vou devagar até localizar a escada. Ok, agora é só descer com calma os dois lances e chego à luz novamente.
Vou tateando com os pés degrau por degrau.
Perfeito, já devo estar no patamaaaaaaaaaaaar...

Humpf! Não, eu ainda não estava no patamar da escada, faltava um degrau, ou dois, nem sei. O fato é que eu fui com tudo, na esperança de encontrar o chão e encontrei, mas quando encontrei não era o patamar, mas a quina do degrau, estava com um salto “Anabela” não muito alto, mas o suficiente para virar o pé e causar uma dor dos diabos. Fator agravante: eu estava já com um barrigão. Mas tudo bem com o bebê, visto que apenas o meu joelho beijou o chão e o meu cotovelo lambeu a parede (o prédio está em construção ainda, lembram-se? Portanto as superfícies da parede e do piso não eram lisas).

Volto para o escritório quase sem conseguir andar direito, mas tudo sob controle.
Sento-me na minha mesa e trabalho até às 16h00. Aí chega, vou embora porque é o casamento da minha melhor amiga e eu sou madrinha, tenho que estar linda e maravilhosa às 19h. A tentativa de levantar foi quase frustrada, não conseguia apoiar o pé no chão.
Vou para casa com muita dor no pé, tiro a bota e vejo que o pé parece um pão, de tão inchado, tomo um banho rápido, e vou para o salão com muita dor.

Às 18h30 estou pronta, mas não consigo apoiar o pé no chão. Vou para casa chorando de dor. Choro porque dói muito, mas choro mais só de pensar que talvez eu não consiga ir ao casamento de minha grande amiga.
Chego em casa e o marido resolve que vai me levar para a clínica de fraturas ao invés de irmos para o casamento. Aí sim é que eu choro!
Decido que vamos ao casamento, e só depois vamos á clínica.

Coloco o vestido, o sapato (que graças a Deus não chega a pegar no tornozelo) e vamos lá, caminhando com muito sacrifício, apoiando no marido, acreditando firmemente que a dor é psicológica.

A cerimônia foi linda, a minha amiga estava linda, a igreja estava linda, a emoção dos noivos foi linda e até o choro compulsivo da minha amiga foi lindo. A minha felicidade conseguiu ser ainda maior que a minha dor.

Beijo, abraço apertado na amiga, no marido da amiga, fotos, mais abraço na amiga e o brilho nos olhos dela com o sorriso estampado no rosto mais feliz do mundo garantem que valeu muito a pena ir ao casamento dela. Nada poderia ser maior que aquele momento, muito menos uma dor.

Como a recepção seria somente no dia seguinte, pude ir à clínica sossegada naquela noite.
Chego à clínica quase às 22h. Linda, loura, maquiada, de vestido longo, salto alto, mancando e de barrigão, ao lado do elegante marido de terno e gravata. Já havia bastante gente quebrada na recepção, mas como estar grávida tem lá suas vantagens, sou atendida de imediato.
O moço da recepção pergunta o que aconteceu e, antes que eu possa pensar em responder o marido diz, no exato momento em que faz-se um silêncio na sala:
- Nós estávamos num casamento, sabe? Eu disse pra ela, não precisa pegar o buquê, eu caso com você, você está grávida... Mas aí ela entrou na disputa com as outras mulheres, sofreu uma falta, porque foi falta eu vi, e olha aí, ó,acabou contundida, machucou o pé!

Fulminei o marido com o olhar e nem me atrevi a olhar para as pessoas da recepção.
O moço que estava fazendo minha ficha olhou para mim com uma cara desconfiada e perguntou?
- Foi isso mesmo?
E eu, com a maior cara de pau...
- Foi!

Adiantava eu desmentir???

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A metáfora do camelo



O plano de fundo da tela do meu computador do escritório era uma imagem da cidade de Petra (uma das novas 7 maravilhas do mundo).


"Cidade" assim, entre aspas, pois trata-se de um enclave arqueológico, que fica na Jordânia.


Há uns 3 dias, o rapaz que cuida da parte de informática aqui do escritório veio instalar uma nova impressora na minha máquina e me deixou sem computador por uma hora e meia.


(o que isso tem a ver com a cidade de Petra? Caaaalma!)


Acontece que a instalação da tal impressora-nova-diferentona (“ona” porque ela é grande mesmo, não é um plotter, mas é filhote de um) é leeeeeenta. Ela demorou 20 minutos apenas para inicializar.
Então, enquanto aguardava a inicialização da impressora, ele baixou mais imagens em alta definição que ele localizara pelo Google da mesma cidade de Petra. Uma imagem mais linda que a outra, diga-se de passagem. Aí ele perguntou se podia mudar o plano de fundo, colocar outra imagem de Petra e eu deixei, afinal eu tinha coisa mais importante pra resolver na hora.
E eu ali, com meu notebook numa mesinha improvisada do outro lado da sala tentando não perder muito tempo de trabalho, correndo pra lá e pra cá, falando ao celular enquanto o telefone da minha mesa tocava insistentemente, big-boss me chamando na outra sala, cliente esperando, tudo ao mesmo tempo agora, sabe como é?
Então... ele terminou a instalação da tal impressora-nova-diferentona, reinicializou minha máquina, fez os devidos testes e foi-se embora enquanto eu atendia um cliente na sala de reuniões.


Volto para a minha mesa, dou uma mexidinha no mouse para sair da proteção de tela e tomo um susto...
Havia sim uma imagem da cidade de Petra no meu plano de fundo, mas tinha um big de um camelo na frente!!!


Não sei se fico fula da vida com a comparação ou se fico feliz porque pelo menos o pessoal da informática está reconhecendo que eu ando trabalhando que nem um camelo!



Sabe-se lá o por quê, a imagem está até hoje no plano de fundo do meu monitor...

domingo, 10 de agosto de 2008

Ainda sobre a licença paternidade...

Pois é, se o marido já estava feliz com os 5 dias de direito à licença paternidade imagina agora que ele descobriu que há um projeto de lei que pode ser aprovado em breve e que dá direito a 15 dias de licença para o pai do recém nascido???

- Olha amor, posso ficar os 5 primeiros dias com vocês em casa e nos outros 10 dias eu posso ir até pro Pantanal pescar!!!

Pelo menos eu fico com o consolo de tê-lo por perto durante os cinco primeiros dias né? Melhor que nada!!!

Tomara que não aprovem coisa nenhuma!!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Tecnologia

Meu pai é uma pessoa bem simples, nunca teve muitos luxos, teve uma vida até bem difícil. Sua maior conquista é ver os dois filhos formados e bem sucedidos na vida (não, nem eu nem meu irmão viramos milionários não, a gente rala muito pra ter uma vida legal, e pra conseguir isso na engenharia a gente tem que ralar MUITO mesmo).
O fato é que a tecnologia lá em casa começou a entrar quando eu e meu irmão já estávamos no segundo grau. Quando o nosso primeiro computador chegou lá em casa eu tinha 15 anos, já estava no segundo grau. Foi uma fase boa, lembro que uns meses antes do computador, meus pais conseguiram comprar uma TV 20 polegadas (a primeira com controle remoto que entrou lá em casa, a que tínhamos antes era com aqueles imensos botões que precisavam ser girados e faziam o maio barulhão para trocar de canal). Junto com a TV com controle remoto veio o vídeo cassete. Nooossa... eu e meu irmão íamos na locadora e alugávamos uns 5 ou 6 filmes para ver no final de semana.
Tudo isso pra dizer que meu pai não é lá muito chegado à novas tecnologias, até porque demorou para ter acesso a muitas delas, outras ele nem tendo acesso encara!

O celular ele usa por necessidade. Só sabe ligar, desligar, atender chamadas e fazer ligações (claro, desde que ele tenha o número à mão, pois ignora completamente a presença da agenda do celular).
O microondas ele já está dominando bem depois de uns 12 anos.
O controle da TV ele domina bem, para ligar, desligar, trocar de canal e aumentar o volume (sim, porque baixar o volume é algo que eu penso que ele ainda nao aprendeu a fazer, a gente fica quase surdo quando ele quer ouvir alguma coisa que está passando e alguém está conversando por perto, ele ergue o volume mas nunca lembra de abaixá-lo).
No video cassete ele nunca se atreveu a mexer.
Aí veio o DVD e com esse ele até está pensando em se aventurar.
O aparelho de som ele domina, afinal ele adora música, mas resistiu um bom tempo ao CD, gostava mesmo de ouvir os LP's que tinha.
Do computador ele nem chega perto, não gosta, não entende e nem quer entender.
Até caixa automático de banco ele evita. Quando vai ao banco fica mesmo é na fila do caixa convencional. Acha que o caixa eletrônico pode acabar "roubando" o dinheiro dele.

Resumindo... Ele não é muito aberto à tecnologia.

Aí eu pergunto pra ele o que ele está querendo ganhar de presente no dia dos pais e ele me responde:
- Ah, um MP3 seria legal!
E eu com meio metro de queixo caído insisto:
- Pai, o senhor sabe o que é um MP3?
- Claro que sei, vi aquele da sua prima e achei ótimo, inclusive a sua mãe também adorou a idéia.
- Como assim?
- Ela disse que pelo menos assim não vai ser incomodada pela altura do volume do rádio enquanto eu estiver ouvindo minhas músicas!

É... parece que a tecnologia está batendo à porta da casa dos meus pais novamente!
Puxa, nem eu tenho um MP3!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Tá explicado!

Cenário:
Terça-feira, 21h10, na cozinha do meu apartamento. O marido lava a louça do jantar.
Enquanto isso eu estou na área de serviço, ao lado, recolhendo as roupas do varal.

O marido pergunta:
- Amor, de quanto tempo é a licença maternidade?
Eu respondo:
- Acho que são 4 meses, mas não tenho certeza.
- E a licença paternidade é de quanto tempo?
- Parece-me que de 5 dias.
- Sacanagem! - responde ele indignado - As mães tem 4 meses e os pais 5 dias! Isso não me parece justo!
- Ah... Poupe-me de responder a isso, por favor!

Ele fica um tempo pensativo, envolto com a árdua tarefa de lavar um ralador de queijo.
De repente, dá uma risada e solta a pérola:

- Ô amor, pensando bem, 5 dias dá até pra eu ir pescar no Mato Grosso!
- Vou fingir que não ouvi, tá meu bem? Mas acho que isso explica bem por que a licença maternidade é de 4 meses e a paternidade é só de 5 dias...

domingo, 27 de julho de 2008

De repente... mãe!

Andei sumida do blog... Talvez estivesse me recuperando do susto!
Estava eu num belo sábado de sol organizando minhas gavetas...
Encontro uma caixinha fechada do meu anticoncepcional...
- Ué, fechada?! Putz, será que eu comprei e esqueci de tomar nesse mês...
Passa um mini-flashback pela minha cabeça e sim, eu descubro que não havia tomado a pílula por todo o mês de fevereiro...
- Ah, tudo bem... Isso já aconteceu antes, não tem problema. Como eu tomo a pílula há anos não é assim, de uma hora pra outra que se engravida...
Passaram-se mais uns 20 minutos e eu comecei a encasquetar com aquilo, até que após tentar puxar pela memória quando havia sido minha última menstruação (eu nunca fui boa pra isso, aliás, eu sempre odiei ir ao ginecologista e ter que responder aquela pergunta - "Quando foi a sua última menstruação?"- porque eu nunca sabia responder com certeza) eu constatei o óbvio... estava atrasada!
Aí passei o resto do sábado com aquilo na cabeça... "Será que eu estou grávida?"
O marido estava viajando e eu não queria falar nada para ninguém. Remoi a dúvida o dia todo sozinha e ela não foi digerida.
Quando eram umas dez horas da noite eu resolvi ir até a farmácia e comprar um teste de gravidez. No domingo cedo eu faria o teste e poderia constatar que eu não estava grávida, que estava apenas com o ciclo desregulado como sempre.

Dormi tranquilamente a noite, levantei cedo e dei de cara com a caixinha do teste na pia do banheiro. Chegou a dar um frio na barriga...

Peguei o tal teste, fix xixi no potinho maior, passei para o potinho menor e coloquei a fitinha...
Nas instruções dizia que poderia demorar até dois minutos (eu ahco que era isso) para aparecerem as faixas (duas) azuis no caso de teste positivo.
Mal eu coloquei a fitinha e já apareceram as duas temidas faixas azuis.

As pernas tremeram, o coração acelerou, a barriga gelou... Uma euforia sem tamanho tomou conta de mim. E eu ali sozinha, de pijamas e chinelo, sentada sozinha na tampa do vaso sanitário.
Eu tive dúvida do resultado apesar da euforia, afinal já havia ouvido falar (ou vai ver inventei isso na hora) da pouca confiabilidade desses testes. Não contei nada para ninguém.
Pelo menos até chegar na casa de minha mãe... (tá bom, eu estava sozinha, afinal)

Cheguei, tomei coragem e perguntei para minha mãe:
- Mãe, esses testes de farmácia para gravidez costumam funcionar?
- Funcionam sim, com certeza!
- Xiiiiii....
- Que foi?
- Eu fiz um hoje de manhã e deu positivo...
- Sério? Bem, talvez possa não ser tão confiável assim...
- É, pensei nisso.
- Amanhã vá até um laboratório e faça um beta.
- Ok... mas vê se não sai espalhando pra ninguém, heim. Deixa a gente ter certeza primeiro.
- Não vou falar nada, pode deixar.

Na segunda eu fui fazer o exame. À noite saía o resultado...
Contei pro marido que já havia voltado e fomos pra internet pegar o resultado juntos.
O resultado, claro, foi super-hiper-mega-positivo!

E, de repente, eu me descobri mãe... A ficha só foi cair mesmo uns três meses depois.
E agora eu estou aqui, às voltas com compra de enxoval, compra dos móveis para o quartinho dele, pensando na decoração, passando quilos de hidratante e óleos para evitar as estrias, comendo feito uma draga, com dificuldades para dormir pois o barrigão já atrapalha um pouco, sentindo uma azia danada porque ele já está pressionando o meu estômago, sem querer sair muito para eventos sociais porque não tem uma roupa que entre ou fique boa em meu corpo, respondendo as mesmas perguntas pelo menos umas três vezes ao dia (sim, estou grávida, é... é menino, novembro... deve nascer em novembro, Guilherme será o nome dele...), dividindo as sensações, dúvidas, dicas e muita alegria com as minhas duas melhores amigas que também estão grávidas (haja coincidência!) e enquanto escrevo tudo isso aqui, sentindo o meu filhote me chutar incansavelmente (pra ele, diga-se de passagem).

Demorei pra comecar a curtir a idéia, na verdade demorou muito para eu me sentir grávida. Até porque eu não tive nada, nem enjôo. Só me senti grávida realmente quando a barriga começou a aparecer, e mais grávida ainda quando eu comecei a senti-lo mexer...

O fato é que eu sempre tive muita vontade de ser mãe, e sempre tive um medo imenso de não poder ser. Agora que estou começando o sexto mês de gestação já começo a ter aquela ansiedade de que ele venha logo, que novembro chegue tão rápido quanto se passaram esses 4 meses desde que eu descobri que estava grávida, ou que pelo menos os móveis do quartinho dele cheguem logo para que eu possa começar a arrumá-lo.

No meu ritmo de trabalho eu sei que vai passar rápido, mas é que agora começa a ficar mais difícil, a barriga já atrapalha, ele já se estica bastante fazendo minhas costelas doerem, não consigo mais subir os 8 pavimentos de escada das minhas obras conversando normalmente como antes, a fadiga começa a aparecer até mesmo na hora de secar os pés ou de calçar um sapato, e o mais legal de tudo é que as pessoas me dizem que ela vai crescer mesmo é agora nos últimos meses... Affe!

Que venham os próximos três meses, e que o meu garotinho venha com saúde, pois o resto eu enfrento, até os chutes mais violentos dele, a dor do parto...

O que não está dando pra enfrentar é a demora para entrega dos móveis do quarto dele, affe! Devia ser proibido deixar uma gestante assim, ansiosa!

Espero poder escrever com mais frequência... Digamos que eu estava de licença, licença-maternidade, ou período de adaptação para a maternidade.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Curtas

1º dia de aula
Minha sobrinha de 3 aninhos enfrentou ontem o seu primeiro dia de escola.
A mãe a vestiu com o uniforme azul novinho em folha, prendeu aquele cabelinho louríssimo fazendo "maria-chiquinha", colocou a mochilinha dela nas costas, olhou naqueles grandes olhos azuis e disse:
- Filha! A mamãe está tão feliz por você estar indo para a escola!!!
- É mãe?
- Sim, muuuuito feliz!
- Eu não!

Desespero pouco é bobagem
O trabalho aqui na construtora só aumenta, atendo telefonemas, respondo e-mails, faço outros telefonemas, monto orçamentos, acompanho obras e dirijo pela cidade com o celular preso entre o ombro e a orelha resolvendo problemas de clientes, funcionários e fornecedores. Ontem então foi um caos! Muito trabalho, muitos problemas e pouco tempo até para ir ao banheiro.
Fui para a casa já depois das oito da noite, tomei banho, fiz um sanduíche, ganhei massagem do marido e dormi... Dormi e sonhei...
Sonhei que estava no escritório e saía da minha sala para ir ao banheiro, porém, quando estava chegando perto do banheiro fiquei presa no meio de uma multidão que avançava da recepção para cima de mim. Eu tentava escapar de qualquer jeito, mas para onde eu virava tinha um cliente me pedindo orçamento, outro reclamando do preço, outro solicitando novas alterações, um mandando quebrar uma parede, outro querendo construir outra, um querendo escada de aço, outro de concreto, tinha o mestre de uma obra pedindo definições sobre os revestimentos, o mestre da outra obra querendo saber do forro de gesso e finalmente quando eu achei uma saída e já estava quase escapando de todos e chegando ao banheiro o auditor da ISO entrou na minha frente e eu acordei. Levantei da cama com dor de cabeça, cansada, com dor nas costas...
O marido acorda também e pergunta:
- Dormiu bem, amor?
- Dormi. Até sonhei.
- Que bom, se sonhou é porque minha massagem funcionou e você relaxou um pouco.
- É... Só que eu sonhei que a construtora havia sido invadida por clientes enlouquecidos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

LENDA URBANA 02

Sobre travesseiros
Tânia e César eram casados há pouco mais de um ano.
Toda noite ela fazia tudo igual...
Preparava e servia o jantar, arrumava a cozinha, assistia à novela, preparava um chá, tomava o seu banho, escovava os dentes, colocava a camisola (ou o pijama) passava seus hidratantes no corpo e no rosto, escovava os cabelos, perfumava-se, arrumava a cama e ficava lendo um trecho de algum livro até que o marido viesse deitar.

O casal praticamente não brigava, nem mesmo discutia. Davam-se muito bem, entendiam-se, completavam-se, conheciam-se muito bem (ou pelo menos achavam que se conheciam)
Ao arrumar a cama para dormir, todos os dias, Tânia colocava um travesseiro mais baixo para ela e um travesseiro mais alto para o marido.
Ela preferia o travesseiro mais alto, porém, deixava-o para o marido, pois julgava que aquele era o melhor travesseiro.

Certo dia, Tânia foi parar no hospital por conta de um problema na coluna. O marido foi buscá-la no final da tarde.
César não fez o jantar, mas pediu comida de um bom restaurante, serviu o jantar para a esposa, lavou as louças e até arrumou a cama.
Ao se deitar, Tânia percebeu que César havia colocado o travesseiro mais alto para ela e pensou comovida:
“Que querido! Deixou o melhor travesseiro para mim.”
César por sua vez, ao se deitar naquela mesma noite pensou:
“Bem, estou fazendo minha boa ação do mês, mereço dormir bem.”

Passaram-se mais dois dias nos quais César providenciou o jantar, cuidou das louças e fez a cama para Tânia se deitar (sempre deixando o travesseiro mais alto para ela), mas ele já estava ficando estressado com aquelas tarefas rotineiras e deu graças a Deus quando viu Tânia cuidando do jantar na noite seguinte, principalmente porque ele havia tido um dia muito difícil no trabalho e estava com os nervos à flor da pele.
Ela estava feliz com a idéia do marido ajudar nas tarefas em casa, afinal ela trabalhava tanto quanto ele. Mas ela percebeu que o marido estava muito nervoso naquela noite e evitou pedir ajuda para pôr a mesa.
Ficou irritada com a demora dele em sentar a mesa para jantar, não gostou dos comentários que ele fez sobre a sua comida, ficou possessa porque ele se retirou da mesa antes de ela terminar de comer, mas principalmente porque ele arrotou assim que virou as costas para ela e não retirou nem mesmo o seu próprio prato da mesa.

Apesar da irritação com o marido, Tânia voltou a fazer o seu ritual noturno: banho, dentes, camisola, hidratantes, cabelos, perfume e... preparar a cama...
Sem nenhum carinho ela afofou o travesseiro alto e colocou-o no lado da cama no qual ela dormia, mas no mesmo momento lembrou enternecidamente da atitude do marido nos dias anteriores a acabou mudando o travesseiro para o lado onde César dormia, apesar do mau humor e grosserias daquela noite, ela reconhecia que ele tinha sido um doce de pessoa nos últimos dias e merecia o melhor travesseiro.
Quando César entrou no quarto, Tânia já estava dormindo, ele então apagou a luz do abajur e deitou.

Assim que encostou a cabeça no travesseiro César se levantou novamente, pegou o travesseiro e jogou na parede pensando enfurecidamente:
- Droga, essa folgada já pegou o meu travesseiro de volta, e agora eu tenho que dormir com esta porcaria de novo!? Prefiro dormir sem travesseiro!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Utilidades domésticas inúteis

Tá legal, eu admito!
Sou fanática por utensílios domésticos, objetos de decoração, luminárias modernas, roupas de cama, mesa e banho, etc.

Na minha cozinha tem os mais variados, coloridos e curiosos utensílios domésticos (que eu pouco uso). Em cima da bancada da cozinha ficam vários jogos de potes em vidro ou acrílico com os mais variados formatos repletos de arroz, feijão (apesar de eu nunca ter cozinhado feijão em casa), vários formatos e tipos de macarrão, café (apesar de eu ter feito café em casa apenas umas 4 vezes desde que casei), açúcar, sucrilhos, biscoitos, amendoins, etc. Tenho cafeteira moderna e bonitona, liquidificador, batedeira, sanduicheira, churrasqueira elétrica, George Foreman Grill, multiprocessador de alimentos, mixer, etc.

A cafeteira eu já usei umas 4 vezes em quase um ano.
O liquidificador eu comecei a usar nesta semana, para fazer sucos naturais, uso total: 2 vezes.
A batedeira ainda está na caixa, assim como o multiprocessador, o mixer e a churrasqueira elétrica.
De tudo isso o que eu uso mesmo é o George, claro, e a sanduicheira.
Vale observar que eu não comprei tudo isso sabendo que ia ficar no armário, viu. Eu ganhei tudo no casamento. Tudo bem que a lista de presentes fui eu que montei.

O pequeno detalhe que torna tudo isso praticamente um “elefante branco” dentro da minha cozinha é que eu detesto cozinhar. Eu me apego a estes utensílios pelo design, pela beleza, pela cor, porque combinam com a decoração, por diversos motivos, menos pela real utilidade que eles têm dentro da cozinha.
Um analista diria que eu me apego a estes itens na tentativa de começar a gostar de cozinhar, porque eu não admito não saber fazer direito algo que a maioria das pessoas faz bem e faz com gosto. Talvez ele tivesse razão.
E talvez isso esteja ajudando, de fato. Só o tempo (talvez uns 10 anos) dirá.

Outra coisa que faz meus olhos brilharem é toalha de banho e roupa de cama.
Passeando pelo shopping na hora do almoço vi na vitrine da Zêlo uma estampa que eu adorei. Controlei meus impulsos (coisa que eu aprendi a fazer direitinho, graças à Deus) e não comprei, nem entrei na loja para não cair em tentação maior ainda.

A minha tática é a seguinte, eu vejo o produto, gosto, pergunto o preço, digo que estou com pressa e que volto buscar mais tarde ou no dia seguinte.
Então vou pra casa e tento levar minha vida normalmente, sem pensar naquele produto.
Como eu sei que tenho mesmo que comprar?
Quando fico me lembrando do objeto de desejo o tempo inteiro. Se a imagem dele passar pela minha cabeça mais vezes por dia do que o normal é porque eu tenho que comprar. Na maioria das vezes eu acabo esquecendo o produto, não compro e ele não me faz a menor falta.

Mas com esse jogo de cama da Zêlo não foi assim. Nem entrei na loja para perguntar o preço. À noite, em casa, entrei no site da loja, olhei todas as opções de produtos naquela linha e descobri que o preço não era absurdo mas, logicamente, não era dos mais baratos, afinal era assinado por um designer famoso.
Tudo bem. Fui dormir.
Até eu conseguir pregar os olhos eu pensei naquele jogo coordenado umas 5 vezes.
No dia seguinte, acordei cedo e fui trabalhar. No caminho eu já fui pensando no jogo.
Trabalhei a manhã toda num ritmo acelerado, mas sem deixar de lembrar do tal jogo coordenado.
Olhei o extrato da conta bancária (porque eu não gosto de comprar nada parcelado), coloquei na ponta do lápis todas as contas que tem para vencer agora em janeiro e fevereiro (que não são poucas, pelamor!) e tomei a decisão.

Meio dia em ponto eu saí em disparada para o shopping.
Entrei na loja e já fui logo dando nome e sobrenome da linha em que eu estava interessada. A vendedora jogou um balde de água fria em cima de mim.
- Eu não tenho mais este produto na loja, acabou.
- Ah... acabou? – a decepção deve ter ficado estampada no meu rosto.
- Mas devo receber mais amanhã!
... E o brilho voltou a inundar meus olhos!!!

Deixei nome, telefone, endereço, tudo que fosse necessário para ela me encontrar assim que chegassem as peças desejadas. Teria deixado até um sinal de negócio se fosse preciso, mas não foi, lógico.
Voltei um pouco decepcionada para o meu trabalho porque normalmente os vendedores não se lembram de te ligar, mas fui com uma pontinha de esperança.

Ontem após o almoço recebi uma ligação no celular enquanto estava resolvendo um assunto importante do trabalho e preferi não atender, pois não reconheci o número (era a vendedora).
A secretária não me passou uma ligação porque sabia que eu estava ocupada e não lhe pareceu um assunto tão importante o da ligação (era novamente a vendedora).
Lá pelo meio da tarde o celular tocou novamente e desta vez eu atendi, era mais uma vez a insistente (ainda bem!) vendedora da Zêlo avisando que havia recebido as mercadorias e perguntando se podia separar um jogo para mim...
VALEU ARACI!!!
Mal podia esperar pela hora de ir embora para poder passar na loja e pegar o tão sonhado coordenado composto por edredom, porta travesseiros, lençol, sobre-lençol e fronhas... como um outro qualquer.

Mesmo com compromisso marcado para a noite e, sabendo que eu poderia me atrasar por causa do trânsito, fui para o shopping. Enfrentei um trânsito terrível. Quando estava a 3 quadras do shopping encontrei uma vaga para estacionar na rua. Não pensei duas vezes, estacionei e fui andando, tenho certeza de que cheguei mais rápido assim do que se tivesse ido com o carro até o estacionamento do shopping.
Entrei na loja quase saltitando de tão feliz. Agradeci várias vezes à atenção da vendedora e saí de lá com meu jogo de cama tão desejado em duas big-sacolas que chegavam arrastar no chão. Lembram que eu havia deixado o carro a três quadras do shopping, né? Pois é... Mas ainda assim eu fui feliz da vida.

Como eu tinha dois aniversários para ir ontem a noite, não deu tempo de colocar o jogo novo na cama... Mas hoje, quando chegar em casa à noite, vai ser a primeira coisa que eu vou fazer!

Por que eu escrevi tudo isso?
Só para provar pra mim mesma que eu não comprei por impulso! Eu precisava deste jogo de cama!


Meu nome é Anna e eu estou há 246 dias sem comprar nem um alfinete por impulso.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

LENDA URBANNA 01 (parte 02 - final)

- E por quê você tem medo de tomar essa decisão comigo por perto?
- Porque eu posso estar tentando me agarrar em alguma coisa que não vai existir...
- Como assim?
- Não quero tomar essa decisão pensando que depois que eu me separar nós dois vamos poder voltar a ter algum relacionamento, por que não é esta a intenção. E mesmo que a gente volte a se relacionar não significa que vá dar certo... Já não deu uma vez.
- Não estou entendendo, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
...
- Passamos quase um ano sem nem ter notícias um do outro, e quando nos reencontramos a crise do meu casamento já estava no auge, portanto não quero enganar a mim mesma achando que agora que eu lhe reencontrei e que sei que você está separado eu posso ter a coragem de acabar com o meu casamento porque ainda tenho uma chance de ser feliz com você, por isso tenho te evitado tanto nesses últimos dias. Só tenho ido àquele restaurante quando não tenho tempo para ir para outro lugar mais longe, não queria mesmo te encontrar, e quando te vi hoje, tentei desviar para ver se você não me via... Quero tomar essa decisão pelo que eu sinto, pelo que há entre mim e meu marido, só isso. Não quero me sentir influenciada por terceiros.
- E eu acho que essa é forma mais certa de tomar esta decisão, você está certíssima. Se eu soubesse que estava nesse ponto não teria ido falar com você hoje. Mas eu notei que alguma coisa estava errada com você, eu te conheço há muitos anos, sei identificar quando você está bem ou não há 50 metros de distância.
- ...
- Eu não quis te influenciar... Perdão!
- Você me influenciaria até a 50 metros de distância, sem nem abrir a boca.
Ele deu um sorriso meio tímido e agora foi ele quem baixou os olhos.
- Quer saber, já que você disse isso vou ser bem sincero com você... Eu quero mais é que você se separe, pois eu sou louco por você ainda... Cada vez que te encontro naquele restaurante fico feito um bobo tentando fazer você me enxergar, perco até a vontade de comer, tenho vontade de ir até a sua mesa e te dar um beijo daqueles cinematográficos, mostrar pra todo mundo que eu sou louco por você. E hoje quando vi você começar a chorar tive vontade de te dizer “ Ta vendo, eu falei para você não casar... Você tinha que ter aceitado o meu pedido de casamento há anos atrás, e daí se nós éramos muito novos ainda?... nós tínhamos condições de casar, e mais chances de sermos felizes juntos do que com as pessoas que escolhemos anos mais tarde.” Mas achei que seria crueldade demais te dizer isso.
- Quem garante que teríamos sido felizes se eu tivesse aceitado o seu pedido naquela época?
- Pára de ser racional, garota! Esse foi o maior erro da sua vida, ser racional demais!
- Você pode estar certo... Acha mesmo que é melhor eu parar de ser racional?
- Eu prefiro.
- Ok, você quem pediu...

Ela segurou o rosto dele em suas mãos e o beijou com um desejo que estava guardado há anos... Ele segurou nos ombros dela e afastou-a de si, assustado. Ela, mais assustada ainda, indagou:
- O que foi agora?
- Você tem certeza do que está fazendo?
- Não sei, deixei de ser racional há alguns segundos. – e avançou novamente na direção dele, que a segurou novamente.
- Você está ciente de que eu não me responsabilizo por como ou onde isso aqui vai terminar ok?
Ela fez que sim com a cabeça e foi fechando os olhos, quase desmaiando enquanto sentia o braço forte lhe apertando cada vez mais contra o corpo dele, lhe dava calafrios na espinha aquela mão grande e pesada, sedenta, percorrendo seu corpo, seu pescoço, segurando seu cabelo, dava-lhe uma sensação de ser desejada, coisa que não sentia mais desde... Puxa! Nem sabia mais precisar quanto tempo fazia...
Ele fez com que ela deitasse no sofá, e com uma mão segurando-lhe os cabelos na nuca, foi abrindo os botões da camisa branca que ela usava e veio beijando seus lábios, pescoço, colo, seios... à medida que ia vencendo a barreira de botões podia ver a lingerie branca, delicadamente rendada que ela estava usando... Ela quase não conseguia se mexer, tamanho torpor que lhe causava aquele homem. As mãos dele invadiam seu corpo por debaixo da saia preta... Ele sabia que ela o desejava muito naquele momento.
Ela começou a abrir os botões da camisa branca descompromissada que ele usava por cima do jeans, explorando aquele peito com mãos firmes. Ajudou-o a livrar-se da camisa e aproveitou-se da posição para ficar por cima, abrindo a calça jeans dele como quem está com pressa, com urgência.
Ela livrou-se da própria camisa e da saia enquanto ele a olhava alucinado de desejo. Ele puxou-a pela cintura, pressionando seu corpo contra o dela e o desejo culminou num gozo sincronizado, alucinado, quase exagerado.
Mais à tarde, quando ela repousava sobre o peito dele, nua e sonolenta, ele admirava a mulher que queria ter para sempre em seus braços e, sem nem se mexer, disse baixinho:
- Ei, você está dormindo?
- Quase...
- Se por acaso você decidir por não se separar...
- Hum?!
- Posso ser seu amante?

LENDA URBANNA

Êêêêê... Feliz 2008 para todo mundo (mas principalmente para vocês meus poucos, mas queridíssimos leitores)!


Estou voltando à ativa no blog (porque para o trabalho eu já voltei desde segunda) e começo o ano inaugurando uma nova seção aqui no blog, chamada LENDA URBANNA.


O que é?

Quando vocês se depararem com o título LENDA URBANNA, pode saber... Lá vem lorota!
Éééé, isso mesmo, lorota... Ou uma obra de ficção, como preferirem.
O fato é que o título serve para identificar que não, em absoluto, essas estórias não aconteceram comigo, são apenas frutos da minha imaginação. Talvez contenham algumas cenas de vida real, afinal, como todos sabem, a arte pode imitar a vida! Mas quando há cenas reais no meio do texto, pode acreditar, elas servem apenas de inspiração para eu poder aumentar e inventar toda uma estória.


Então... Senta que lá vem a estória!!!



LENDA URBANNA 01 (parte 01)


Encontraram-se num restaurante, hora de almoço, plena segunda-feira. Ela o viu, mas preferiu fingir que não tinha visto. Sabia que não seria bom conversar com ele. Estava passando por uma fase difícil em seu casamento, e aproveitava o período em que o marido estava viajando para tentar colocar a cabeça no lugar e tentar descobrir qual seria a melhor atitude a ser tomada. E sabia que a proximidade daquele homem poderia interferir na sua decisão.
Ela percebeu que ele esticava o pescoço na sua direção, como quem quer ver e ser visto. Distraiu-se olhando para um casal que chegava com duas crianças pequenas, foi acompanhando-os com o olhar e, de repente, o rosto dele surgiu entre ela e o casal com as crianças. Ele acenou, falou alguma coisa com o colega que estava sentado na mesma mesa, e levantou, começando a caminhar em sua direção.
Ela ferveu e ao mesmo tempo congelou no pouco tempo entre ele se levantar e chegar até ela.
...
Puxou uma cadeira e perguntou se poderia sentar-se. Ela consentiu com um sorriso.
Conversaram sobre o trabalho de cada um, perguntaram dos amigos em comum, até que veio a pergunta que ela sabia que viria cedo ou tarde...
- Como está seu casamento?
- Ah, está indo muito bem... – ela sentiu um nó na garganta e só conseguia pensar que não era hora nem lugar para chorar, baixou a cabeça, piscou os olhos rapidamente na intenção de conter as lágrimas que insistiam em inundar seus olhos e começou a remexer a comida no prato.
Ele colocou a mão direita no seu rosto, tentando erguê-lo para constatar o que ele já imaginava... Ela estava chorando. Ela sempre fazia isso quando não conseguia conter o choro, baixava a cabeça e ficava mexendo com qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, abaixo da linha dos olhos. E ele conhecia essa mulher desde que ela era apenas uma garotinha, passou bons anos convivendo com ela diariamente e, como amigo, sabia mais das fraquezas e manias dela do que ela mesma. Além se saber, por amigos em comum, que o casamento dela estava com os dias contados.
- Ei, o que houve? – disse ele passando o polegar no rosto dela mais para acariciá-lo do que para enxugar suas lágrimas.
Ela ficou em silêncio.
- Venha comigo, vamos conversar num local mais tranqüilo. – disse ele já se levantando
- Melhor não... Você tem que voltar ao trabalho e eu também, eu vou ficar bem, pode deixar.
- Não discuta. Você está de carro, certo?
Ela balançou a cabeça em sinal positivo.
- Me dá um segundo, apenas.
...
Ele foi até a mesa onde estava antes, entregou as chaves do carro para o colega que estava com ele, falou alguma coisa e voltou à mesa dela, afastou a cadeira, ajudando-a a se levantar e saíram do restaurante. Ela colocou as chaves do seu carro na mão dele.
- Pra onde você quer ir?
- Qualquer lugar...
Ela reconheceu o caminho que ele estava fazendo... Percebeu que estavam indo para o apartamento dele. Ele não perguntou nada durante o trajeto e ela não disse uma palavra sequer.
Estacionaram o carro na garagem, chamaram o elevador, subiram sem trocar sequer uma palavra, ela permanecia com o olhar baixo, como se estivesse com vergonha da cena que ele havia presenciado, sentia que ele a olhava com piedade, e isso a incomodava muito.
...
Ele abriu a porta do apartamento, fez com que ela entrasse. Ofereceu-lhe uma bebida, ela recusou enquanto sentava-se no sofá. Ele sentou-se na mesa de centro, ficou frente a frente com ela e disse:
- Sou todo ouvidos, se quiser desabafar... Mas se não quiser falar nada eu vou entender e sou capaz de ficar aqui o resto do dia, só olhando para você.
Ela foi falando devagar, com calma, tentando não chorar. Contou-lhe todos os problemas que vinham tomando conta de seu casamento, contou-lhe que estava num momento crucial, decidindo entre continuar ou interromper o casamento e que não sabia se teria condições de continuar. Ele quase não falou, afinal era o menos indicado para falar de casamento, ficou casado por um ano, mas desde o primeiro mês já dizia que não ia durar muito tempo, dizia ter tomado a decisão errada e na hora errada.
Ela desabafou, sentiu-se aliviada e já estava até rindo com ele quando, de repente, ele ficou sério, segurou as mãos dela e disse olhando nos seus olhos:
- Não gosto de dar conselhos, ainda mais este que vou lhe dar agora, pois sei que pode não ser imparcial devido ao relacionamento que já tivemos e o sentimento que nunca se extinguiu em mim...
Ela corou. Sabia que mexia com ele ainda, da mesma forma que ele mexia com ela, baixou os olhos, mas resolveu que devia encarar aquilo de frente, não era mais uma garotinha como antes, sabia-se capaz de enfrentar aquilo, só não sabia se seria a forma mais certa. Encarou-o.
- Não adianta você insistir num relacionamento que está te fazendo infeliz. Eu te conheço há muito tempo e consigo perceber só nos esbarrões que temos dado por aí que você não está feliz. Hoje foi a gota d’água, eu tenho que te falar que, por experiência própria, não vale a pena ficar adiando a decisão, tentando tapar o sol com a peneira. Você conhece a história de como acabou meu casamento, foi mais doloroso do que teria sido se eu tivesse tomado a decisão antes. Portanto, minha linda, tome a sua decisão de uma vez por todas, porque assim você está sofrendo demais, sofre antes, durante e depois. O peso de tomar a decisão, a insegurança, o medo, tudo isso faz muito mal. Você vai ver que, mesmo que você decida acabar com o seu casamento, vai ser mais fácil do que você pensa, todo mundo é contra, mas só você é quem sabe o que está passando e o que pode ser melhor para você.
- Eu sei de tudo isso, mas tenho ensaiado para tomar essa decisão. Não é fácil. Envolve muita coisa, muito sentimento, tenho medo de magoá-lo demais.
- Chega de pensar nos outros... Pense um pouco em você, dor de amor passa, mas viver o resto da vida infeliz não dá. Você é uma mulher independente, sempre foi segura de si, não é agora que vai se deixar abater, atrofiar...
- Você tem razão... Mas tenho medo de tomar essa decisão com você por perto.


(Continua)