terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sobre filhos

Filhos são, mesmo, tudo de bom!

O primeiro ano do meu Guilherme não foi nada fácil para mim.

Durante 12 meses, o meu período mais longo de sono ininterrupto deve ter durado umas 2 horas.

Meu filho simplesmente não dormia por mais tempo que isso. Eu fiquei apenas 3 meses de licença maternidade, ou seja, dava duro o dia todo no trabalho e passava as noites perambulando entre o meu quarto e o dele. Como eu aguentei esse tempo todo? Ainda é uma incognita para mim.

Mas mãe é mãe, e tira forças de onde não existe, e dá conta de tudo, reclama um pouco, mas nunca reclama para o próprio filho, mesmo que ele tenha 7 meses e não entenda nada do que vc está falando (porque no fundo a gente sabe que eles entendem).

Já me desesperei quando ele não parava de chorar, já surtei depois de várias noites sem dormir, já trouxe problemas do trabalho para casa, interferindo na qualidade do pouco tempo que tenho para ele, já deixei ele dormir na casa da minha mãe uma noite para que eu pudesse dormir um pouco e recarregar um pouco as baterias e voltei para casa aos prantos, soluçando de remorso, e passei a noite acordando de meia em hora, pensando se ele estava dormindo bem ou não...


O primeiro ano é difícil porque apenas nós, mães, é que oferecemos, doamos, emprestamos, fornecemos. É uma via de mão única!


Mas conforme eles vão crescendo, eles vão entendendo os gestos, as palavras, e começam a retribuir de várias formas...


Hoje, faltando um mês e meio para completar dois anos, ouso dizer que é a melhor fase da relação mãe e filho.

Ele fala de tudo, entende tudo o que a gente fala, quer fazer as coisas sozinho, quer ajudar em tudo, diz o que sente, diz o que quer e, principalmente, diz o que não quer.

É teimoso, é genioso, me enfrenta em algumas situações e, sempre que ele faz isso, eu me vejo espelhada nele.

É carinhoso, abraça, beija, fica junto...

É amoroso, preocupa-se quando eu digo que dói alguma coisa, percebe que eu estou triste e me abraça, e diz "ahhhh, mamãe", diz "xe amo"...

É educado, pede licença, fala por favor, obrigado, bom dia, boa noite...

É um doce de criança, brinca muito, está aprendendo a apreciar livros, mesmo sendo alucinado por bola. A cada livro novo que ganha, folheia inteirinho para ver se acha uma bola nos desenhos do livro...

É um esportista, adora futebol, andar de bicicleta, gosta de me ver jogando vôlei, já ensaia algumas manchetes...

É inteligente, já tem noção de quantidade, conhece as cores, sabe o que é maior, o que é menor...

Eu poderia passar horas descrevendo as coisas boas do meu filhote... Mas isso é porque eu sou mãe e esse é o papel das mães...

Mas na verdade, eu comecei este post apenas para concluir que, mesmo com todas as dificuldades que encontrei em ser mãe (acumulando as funções de profissional e de mulher), mesmo com as agruras que uma mãe sofre, para cada momento de tristeza, de medo, de desespero, de exaustão... para cada um destes momentos, existem outros inúmeros momentos de alegria, de ternura, de orgulho, de satisfação em ser mãe de um serzinho fantástico, que mesmo que eu tivesse encomendado com as mais detalhadas e exigentes especificações, jamais poderia ser tão perfeito, tão maravilhoso!

Eu sei que eu já errei muito, sei também que algumas vezes poderia ter feito melhor, mas ainda assim, tenho a certeza de que já acertei bastante, também, ousaria dizer até que já acertei bem mais do que errei. Sei que hoje sou uma mãe mais serena, mais confiante, mais parceira, mais cúmplice, não sou mais presente porque o trabalho me toma muitas horas do dia, mas posso encher a boca para falar que o pouco tempo que tenho com meu filho é de muita qualidade, e que a cada dia eu busco aprimorar ainda mais essa qualidade!

Filho, eu te amo da forma mais completa que é possível amar alguém, te amo com todos os fios do meu cabelo, com todos os poros da minha pele.

Sei que estou longe de ser uma mãe perfeita, mas você me ensina a cada dia uma forma melhor e mais completa de ser a mãe que você merece.

Que Deus e Nossa Senhora Te protejam sempre, sempre. Principalmente se eu não puder estar por perto.

Beijo,

Mamanhê

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Língua de trapo

O filhote está soltando a língua...
Fala, fala, fala, fala tanto que às vezes dá vontade de pedir para ele parar.

Se estamos chegando ao supermercado ou ao shopping, no estacionamento ele enlouquece:
- Olha o cao!
Tradução Simultânea (TS): Olha o carro!
- Maixx cao!
TS: Mais carro!
- Doix cao! Cato cao! Muto cao!
TS: Dois carros! Quatro carros! Muitos carros!

Dentro do shopping ele vê as lixeiras:
- Olha ixo! Maixx ixo! Muto ixo!
TS: Olha o lixo! Mais lixo! Muitos lixos!

Ele já reconhece algumas cores e fica louco com as lixeiras de coleta seletiva:
- Ixo dul! Ixo mélo! Ixo mêlio! Ixo dedi!
TS: Lixo azul! Lixo amarelo! Lixo vermelho! Lixo verde!

Dentre outras coisas que ele fala sem parar tem uma que eu acho que ainda vai me dar problemas...
Estamos no supermercado, na fila do caixa e ele aponta para a frente e fala bem alto (gritado mesmo) para todo mundo ouvir:
- Olha a "bixa"!!!

"Bicha/bixa" para ele é balão, ele fala "bixa" porque meu marido tem o hábito comum dos curitibanos de chamar balão de bexiga! Para ele ficou "bixa" mesmo.

O problema é que as pessoas em volta acham que ele está falando "bicha" mesmo!!!