quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Foi falta, eu vi!

Sexta-feira, dia 18/07, 11h00.
Em uma das obras da empresa, acompanhando auditoria do sistema de qualidade.
Saio do sol e entro no hall do prédio ainda em construção para descer pro subsolo.
Cegueira momentânea por causa do contraste muito sol x escuro.
Vou devagar até localizar a escada. Ok, agora é só descer com calma os dois lances e chego à luz novamente.
Vou tateando com os pés degrau por degrau.
Perfeito, já devo estar no patamaaaaaaaaaaaar...

Humpf! Não, eu ainda não estava no patamar da escada, faltava um degrau, ou dois, nem sei. O fato é que eu fui com tudo, na esperança de encontrar o chão e encontrei, mas quando encontrei não era o patamar, mas a quina do degrau, estava com um salto “Anabela” não muito alto, mas o suficiente para virar o pé e causar uma dor dos diabos. Fator agravante: eu estava já com um barrigão. Mas tudo bem com o bebê, visto que apenas o meu joelho beijou o chão e o meu cotovelo lambeu a parede (o prédio está em construção ainda, lembram-se? Portanto as superfícies da parede e do piso não eram lisas).

Volto para o escritório quase sem conseguir andar direito, mas tudo sob controle.
Sento-me na minha mesa e trabalho até às 16h00. Aí chega, vou embora porque é o casamento da minha melhor amiga e eu sou madrinha, tenho que estar linda e maravilhosa às 19h. A tentativa de levantar foi quase frustrada, não conseguia apoiar o pé no chão.
Vou para casa com muita dor no pé, tiro a bota e vejo que o pé parece um pão, de tão inchado, tomo um banho rápido, e vou para o salão com muita dor.

Às 18h30 estou pronta, mas não consigo apoiar o pé no chão. Vou para casa chorando de dor. Choro porque dói muito, mas choro mais só de pensar que talvez eu não consiga ir ao casamento de minha grande amiga.
Chego em casa e o marido resolve que vai me levar para a clínica de fraturas ao invés de irmos para o casamento. Aí sim é que eu choro!
Decido que vamos ao casamento, e só depois vamos á clínica.

Coloco o vestido, o sapato (que graças a Deus não chega a pegar no tornozelo) e vamos lá, caminhando com muito sacrifício, apoiando no marido, acreditando firmemente que a dor é psicológica.

A cerimônia foi linda, a minha amiga estava linda, a igreja estava linda, a emoção dos noivos foi linda e até o choro compulsivo da minha amiga foi lindo. A minha felicidade conseguiu ser ainda maior que a minha dor.

Beijo, abraço apertado na amiga, no marido da amiga, fotos, mais abraço na amiga e o brilho nos olhos dela com o sorriso estampado no rosto mais feliz do mundo garantem que valeu muito a pena ir ao casamento dela. Nada poderia ser maior que aquele momento, muito menos uma dor.

Como a recepção seria somente no dia seguinte, pude ir à clínica sossegada naquela noite.
Chego à clínica quase às 22h. Linda, loura, maquiada, de vestido longo, salto alto, mancando e de barrigão, ao lado do elegante marido de terno e gravata. Já havia bastante gente quebrada na recepção, mas como estar grávida tem lá suas vantagens, sou atendida de imediato.
O moço da recepção pergunta o que aconteceu e, antes que eu possa pensar em responder o marido diz, no exato momento em que faz-se um silêncio na sala:
- Nós estávamos num casamento, sabe? Eu disse pra ela, não precisa pegar o buquê, eu caso com você, você está grávida... Mas aí ela entrou na disputa com as outras mulheres, sofreu uma falta, porque foi falta eu vi, e olha aí, ó,acabou contundida, machucou o pé!

Fulminei o marido com o olhar e nem me atrevi a olhar para as pessoas da recepção.
O moço que estava fazendo minha ficha olhou para mim com uma cara desconfiada e perguntou?
- Foi isso mesmo?
E eu, com a maior cara de pau...
- Foi!

Adiantava eu desmentir???

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A metáfora do camelo



O plano de fundo da tela do meu computador do escritório era uma imagem da cidade de Petra (uma das novas 7 maravilhas do mundo).


"Cidade" assim, entre aspas, pois trata-se de um enclave arqueológico, que fica na Jordânia.


Há uns 3 dias, o rapaz que cuida da parte de informática aqui do escritório veio instalar uma nova impressora na minha máquina e me deixou sem computador por uma hora e meia.


(o que isso tem a ver com a cidade de Petra? Caaaalma!)


Acontece que a instalação da tal impressora-nova-diferentona (“ona” porque ela é grande mesmo, não é um plotter, mas é filhote de um) é leeeeeenta. Ela demorou 20 minutos apenas para inicializar.
Então, enquanto aguardava a inicialização da impressora, ele baixou mais imagens em alta definição que ele localizara pelo Google da mesma cidade de Petra. Uma imagem mais linda que a outra, diga-se de passagem. Aí ele perguntou se podia mudar o plano de fundo, colocar outra imagem de Petra e eu deixei, afinal eu tinha coisa mais importante pra resolver na hora.
E eu ali, com meu notebook numa mesinha improvisada do outro lado da sala tentando não perder muito tempo de trabalho, correndo pra lá e pra cá, falando ao celular enquanto o telefone da minha mesa tocava insistentemente, big-boss me chamando na outra sala, cliente esperando, tudo ao mesmo tempo agora, sabe como é?
Então... ele terminou a instalação da tal impressora-nova-diferentona, reinicializou minha máquina, fez os devidos testes e foi-se embora enquanto eu atendia um cliente na sala de reuniões.


Volto para a minha mesa, dou uma mexidinha no mouse para sair da proteção de tela e tomo um susto...
Havia sim uma imagem da cidade de Petra no meu plano de fundo, mas tinha um big de um camelo na frente!!!


Não sei se fico fula da vida com a comparação ou se fico feliz porque pelo menos o pessoal da informática está reconhecendo que eu ando trabalhando que nem um camelo!



Sabe-se lá o por quê, a imagem está até hoje no plano de fundo do meu monitor...

domingo, 10 de agosto de 2008

Ainda sobre a licença paternidade...

Pois é, se o marido já estava feliz com os 5 dias de direito à licença paternidade imagina agora que ele descobriu que há um projeto de lei que pode ser aprovado em breve e que dá direito a 15 dias de licença para o pai do recém nascido???

- Olha amor, posso ficar os 5 primeiros dias com vocês em casa e nos outros 10 dias eu posso ir até pro Pantanal pescar!!!

Pelo menos eu fico com o consolo de tê-lo por perto durante os cinco primeiros dias né? Melhor que nada!!!

Tomara que não aprovem coisa nenhuma!!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Tecnologia

Meu pai é uma pessoa bem simples, nunca teve muitos luxos, teve uma vida até bem difícil. Sua maior conquista é ver os dois filhos formados e bem sucedidos na vida (não, nem eu nem meu irmão viramos milionários não, a gente rala muito pra ter uma vida legal, e pra conseguir isso na engenharia a gente tem que ralar MUITO mesmo).
O fato é que a tecnologia lá em casa começou a entrar quando eu e meu irmão já estávamos no segundo grau. Quando o nosso primeiro computador chegou lá em casa eu tinha 15 anos, já estava no segundo grau. Foi uma fase boa, lembro que uns meses antes do computador, meus pais conseguiram comprar uma TV 20 polegadas (a primeira com controle remoto que entrou lá em casa, a que tínhamos antes era com aqueles imensos botões que precisavam ser girados e faziam o maio barulhão para trocar de canal). Junto com a TV com controle remoto veio o vídeo cassete. Nooossa... eu e meu irmão íamos na locadora e alugávamos uns 5 ou 6 filmes para ver no final de semana.
Tudo isso pra dizer que meu pai não é lá muito chegado à novas tecnologias, até porque demorou para ter acesso a muitas delas, outras ele nem tendo acesso encara!

O celular ele usa por necessidade. Só sabe ligar, desligar, atender chamadas e fazer ligações (claro, desde que ele tenha o número à mão, pois ignora completamente a presença da agenda do celular).
O microondas ele já está dominando bem depois de uns 12 anos.
O controle da TV ele domina bem, para ligar, desligar, trocar de canal e aumentar o volume (sim, porque baixar o volume é algo que eu penso que ele ainda nao aprendeu a fazer, a gente fica quase surdo quando ele quer ouvir alguma coisa que está passando e alguém está conversando por perto, ele ergue o volume mas nunca lembra de abaixá-lo).
No video cassete ele nunca se atreveu a mexer.
Aí veio o DVD e com esse ele até está pensando em se aventurar.
O aparelho de som ele domina, afinal ele adora música, mas resistiu um bom tempo ao CD, gostava mesmo de ouvir os LP's que tinha.
Do computador ele nem chega perto, não gosta, não entende e nem quer entender.
Até caixa automático de banco ele evita. Quando vai ao banco fica mesmo é na fila do caixa convencional. Acha que o caixa eletrônico pode acabar "roubando" o dinheiro dele.

Resumindo... Ele não é muito aberto à tecnologia.

Aí eu pergunto pra ele o que ele está querendo ganhar de presente no dia dos pais e ele me responde:
- Ah, um MP3 seria legal!
E eu com meio metro de queixo caído insisto:
- Pai, o senhor sabe o que é um MP3?
- Claro que sei, vi aquele da sua prima e achei ótimo, inclusive a sua mãe também adorou a idéia.
- Como assim?
- Ela disse que pelo menos assim não vai ser incomodada pela altura do volume do rádio enquanto eu estiver ouvindo minhas músicas!

É... parece que a tecnologia está batendo à porta da casa dos meus pais novamente!
Puxa, nem eu tenho um MP3!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Tá explicado!

Cenário:
Terça-feira, 21h10, na cozinha do meu apartamento. O marido lava a louça do jantar.
Enquanto isso eu estou na área de serviço, ao lado, recolhendo as roupas do varal.

O marido pergunta:
- Amor, de quanto tempo é a licença maternidade?
Eu respondo:
- Acho que são 4 meses, mas não tenho certeza.
- E a licença paternidade é de quanto tempo?
- Parece-me que de 5 dias.
- Sacanagem! - responde ele indignado - As mães tem 4 meses e os pais 5 dias! Isso não me parece justo!
- Ah... Poupe-me de responder a isso, por favor!

Ele fica um tempo pensativo, envolto com a árdua tarefa de lavar um ralador de queijo.
De repente, dá uma risada e solta a pérola:

- Ô amor, pensando bem, 5 dias dá até pra eu ir pescar no Mato Grosso!
- Vou fingir que não ouvi, tá meu bem? Mas acho que isso explica bem por que a licença maternidade é de 4 meses e a paternidade é só de 5 dias...