quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

LENDA URBANNA 01 (parte 02 - final)

- E por quê você tem medo de tomar essa decisão comigo por perto?
- Porque eu posso estar tentando me agarrar em alguma coisa que não vai existir...
- Como assim?
- Não quero tomar essa decisão pensando que depois que eu me separar nós dois vamos poder voltar a ter algum relacionamento, por que não é esta a intenção. E mesmo que a gente volte a se relacionar não significa que vá dar certo... Já não deu uma vez.
- Não estou entendendo, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
...
- Passamos quase um ano sem nem ter notícias um do outro, e quando nos reencontramos a crise do meu casamento já estava no auge, portanto não quero enganar a mim mesma achando que agora que eu lhe reencontrei e que sei que você está separado eu posso ter a coragem de acabar com o meu casamento porque ainda tenho uma chance de ser feliz com você, por isso tenho te evitado tanto nesses últimos dias. Só tenho ido àquele restaurante quando não tenho tempo para ir para outro lugar mais longe, não queria mesmo te encontrar, e quando te vi hoje, tentei desviar para ver se você não me via... Quero tomar essa decisão pelo que eu sinto, pelo que há entre mim e meu marido, só isso. Não quero me sentir influenciada por terceiros.
- E eu acho que essa é forma mais certa de tomar esta decisão, você está certíssima. Se eu soubesse que estava nesse ponto não teria ido falar com você hoje. Mas eu notei que alguma coisa estava errada com você, eu te conheço há muitos anos, sei identificar quando você está bem ou não há 50 metros de distância.
- ...
- Eu não quis te influenciar... Perdão!
- Você me influenciaria até a 50 metros de distância, sem nem abrir a boca.
Ele deu um sorriso meio tímido e agora foi ele quem baixou os olhos.
- Quer saber, já que você disse isso vou ser bem sincero com você... Eu quero mais é que você se separe, pois eu sou louco por você ainda... Cada vez que te encontro naquele restaurante fico feito um bobo tentando fazer você me enxergar, perco até a vontade de comer, tenho vontade de ir até a sua mesa e te dar um beijo daqueles cinematográficos, mostrar pra todo mundo que eu sou louco por você. E hoje quando vi você começar a chorar tive vontade de te dizer “ Ta vendo, eu falei para você não casar... Você tinha que ter aceitado o meu pedido de casamento há anos atrás, e daí se nós éramos muito novos ainda?... nós tínhamos condições de casar, e mais chances de sermos felizes juntos do que com as pessoas que escolhemos anos mais tarde.” Mas achei que seria crueldade demais te dizer isso.
- Quem garante que teríamos sido felizes se eu tivesse aceitado o seu pedido naquela época?
- Pára de ser racional, garota! Esse foi o maior erro da sua vida, ser racional demais!
- Você pode estar certo... Acha mesmo que é melhor eu parar de ser racional?
- Eu prefiro.
- Ok, você quem pediu...

Ela segurou o rosto dele em suas mãos e o beijou com um desejo que estava guardado há anos... Ele segurou nos ombros dela e afastou-a de si, assustado. Ela, mais assustada ainda, indagou:
- O que foi agora?
- Você tem certeza do que está fazendo?
- Não sei, deixei de ser racional há alguns segundos. – e avançou novamente na direção dele, que a segurou novamente.
- Você está ciente de que eu não me responsabilizo por como ou onde isso aqui vai terminar ok?
Ela fez que sim com a cabeça e foi fechando os olhos, quase desmaiando enquanto sentia o braço forte lhe apertando cada vez mais contra o corpo dele, lhe dava calafrios na espinha aquela mão grande e pesada, sedenta, percorrendo seu corpo, seu pescoço, segurando seu cabelo, dava-lhe uma sensação de ser desejada, coisa que não sentia mais desde... Puxa! Nem sabia mais precisar quanto tempo fazia...
Ele fez com que ela deitasse no sofá, e com uma mão segurando-lhe os cabelos na nuca, foi abrindo os botões da camisa branca que ela usava e veio beijando seus lábios, pescoço, colo, seios... à medida que ia vencendo a barreira de botões podia ver a lingerie branca, delicadamente rendada que ela estava usando... Ela quase não conseguia se mexer, tamanho torpor que lhe causava aquele homem. As mãos dele invadiam seu corpo por debaixo da saia preta... Ele sabia que ela o desejava muito naquele momento.
Ela começou a abrir os botões da camisa branca descompromissada que ele usava por cima do jeans, explorando aquele peito com mãos firmes. Ajudou-o a livrar-se da camisa e aproveitou-se da posição para ficar por cima, abrindo a calça jeans dele como quem está com pressa, com urgência.
Ela livrou-se da própria camisa e da saia enquanto ele a olhava alucinado de desejo. Ele puxou-a pela cintura, pressionando seu corpo contra o dela e o desejo culminou num gozo sincronizado, alucinado, quase exagerado.
Mais à tarde, quando ela repousava sobre o peito dele, nua e sonolenta, ele admirava a mulher que queria ter para sempre em seus braços e, sem nem se mexer, disse baixinho:
- Ei, você está dormindo?
- Quase...
- Se por acaso você decidir por não se separar...
- Hum?!
- Posso ser seu amante?

5 comentários:

tesco disse...

"Não sei se quero... não sei se vou..." e acaba... fondo. Rerré! Esse é um discurso feminino a que estamos acostumados na literatura.
Já o ponto-de-vista do cara é bastante realista. Parte pros "finalmente" e quer permanecer pendurado nessa árvore de bons frutos, de qualquer maneira que seja.
Sem querer desencorajá-la, pelo contrário, pensei que a trama ia mais além. Você começou bem, mas parece que teve pressa em concluir. Faltou a dramaticidade que eu esperava. Quem sabe você elimina este termo "final" e reenceta a história com recheio mais instigante?
Eu voto a favor.
Beijos.

ANNA disse...

Hum... quem sabe tesco...
E claro que vc acertou na mosca, tive mesmo pressa em acabar.
Vou pensar até amanhã para ver se aceito o desafio.

Adauto disse...

Discordo do Tesco. Estórias curtas e bem definidas. Instigando a imaginação mais pelo que não dizem do que pelo que está efetivamente escrito. Particularmente gostei do conto. Já passei várias vezes por situações parecidas, mas (infelizmente?) sem o desfecho desse casal...

[ ]s!

ANNA disse...

Bem...
Até pensei em continuar e dar um outro desfecho conforme sugeriu o meu caríssimo Tesco, mas sabe.. não tive clima para desenvolver as outras idéias de desfechos que passaram pela minha cabeça.
Acho que este texto poderia explorar muito mais sim... só que eu não estou conseguindo transcrever as cenas que se passam pela minha cabeça, as idéias não estão muito coesas...
Mesmo assim, Tesco, obrigada pela dica. Suas sugestões são sempre muito bem vindas.

Bicarato disse...

Salve, Anna! Seguindo a dica de um copoanheiro, estou mantendo em dia minha *Dieta do Engenheiro*...
Abraçãos =^)